30 de out de 2012

Jack, De frente com Gabi

Imaginei o iluminado em Marília Gabriela.

Vida?
Medo?
Frase predileta?
E por fim, Jack Kerouac por Jack Kerouac.





"Apanhe um pêssego, apanhe a laranja suculenta, abra um buraco com uma mordida, pegue a a laranja, incline a cabeça para trás, use toda a sua força, beba e esprema a laranja pelo buraco, o sumo escorre por seus lábios e sobre os braços dela. - Ela tem poeira nos dedos de seus pés e esmalte nas unhas deles - tem uma cintura fina e morena, um queixinho delicado, pescoço suave como o de um cisne, voz baixa, singela feminilidade e não sabe disso - sua voz baixa é tilintante. (...). Minha mente está nos joelhos morenos de Carmelita, na mancha negra entre suas coxas, onde a criação esconde sua majestosidade, e todos os rapazes ávidos correm sofrendo e querem tudo, o buraco inteiro, serviço completo, o pêlo, a membrana a ser explorada, aquela adorável, queridinha coisinha aconchegante, ela nunca pode, e o sol se põe, está escuro, e eles estão deitados em um parreiral (...)".

Viajante Solitário, Jack Kerouac. Tradução de Eduardo Bueno.

25 de out de 2012

O velho lobo

O pai se matou com veneno de rato. A mãe, após 16 tentativas, conseguiu o feito. Esse cara deu uma surra no pai. Arrebentou um violão na cabeça. Mas ainda o admirava. E ele tira sarro do suicídio do pai: “O meu morreu no dia do índio; ele tava namorando uma putinha, em Campo Grande, e ela deu em cima de mim”. Um cara inadaptado. Famigerado. Caótico.

No velório de Júlio Barroso, junto com Cazuza, cheiraram uma fileira de cocaína sobre o caixão. Preso em qualquer lugar, por qualquer coisa. Shows cancelados pelo Juizado de Menores. 132 processos no lombo. Perseguido. E outras memórias de cárcere, quando preso, eleito "síndico" dos colegas de cela.

Ingênuo. Boi de piranha de jornalistas. Sabotador de si mesmo. E sobrevivente. Genial. Coragem imensa de encarar os próprios demônios. Com muita ironia e cinismo. Mas um tremendo escritor.

Lembrei duma epígrafe do escritor Gustaveira; “Todo exorcismo /tem de ser pessoal/ demônios domados/ nunca têm /tanta graça”, do poeta Lupeu Lacerda.

Foi lançadao em outubro de 2010, pela editora Nova Fronteira. Escrito em co-autoria com Cláudio Tognolli.