02/11/2009

A Máquina do Corpo









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"Imaginação típica de macho, que se perde no corpo, sem saber o que fazer com as mãos, com os dedos enfiados, conciliando e revezando, imaginando uma possível câmera em zoom fixo naquele sexo do tamanho da boca... Mas, não. Foi ela: música anos oitenta, Tears of Fears; trilha do seu primeiro beijo com ele. Não bebeu antes. Não chorou. Simplesmente decidiu. Apertou o play -“advice for the young heart”- segurando no que escolheu até sua cama".
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Na Verbo21. Edição de Outubro. Clique aqui.

29/06/2009

Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos


Edgar Wilson foi criado feito cão de rinha. Adestrado desde pequeno para isso. Mas, tudo bem. "Aprendeu que é melhor do quer ser porco, pois os porcos não podem olhar para o céu". Literatura Pulp de Ana Paula Maia. Que vale o ingresso.

27/06/2009

THRILLER NO MEU SAMJOHN

Um cara -como eu- que escreve "sob" música não poderia ficar indiferente.

Nesse Samjohn viajei pra Senhor do Bonfim. E nessa trip lembrei de Michael.

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Não bebi o russo-nordestino (aí embaixo), tal como "Suzi-e-ana"; onde a publicidade verossímel deveria ser "é uma merda, mas, é que você pode pagar":




Três reais -a garrafa. Dia desses ainda encontro "Raskolnikov". Literalmente um coquetel "Molotov". OFF mesmo.
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Sua vida pessoal é tão estranha quanto as transformações em seu rosto; bizarra, até. Mas, inegavelmente o cara era sensível. Quando moleque escutava suas músicas. E o disco "THRILLER" foi um marco pra mim. Ganhei de aniversário. Na época não havia boatos que ele comia garotos e ainda não parecia um alienígena. E o Lp lá em casa, aos sábados pela manhã, estremecia os vidros da janela. Lembro bem do arco reagindo ao som. Enconstava o ouvido no chão pra sentir os tacos velhos vibrarem. Bastava fechar os olhos e imaginar os zumbis do vídeo-clipe.
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No Samjohn dei uns tiros em paçocas e pirulitos. Acertei duas vezes no barbante, porém, não consegui derrubar o urso para a namorada.


Escutei Zé Ramalho, ao vivo, cantando músicas do Bob Dylan, e bem ao lado do palco, visitei um cenário "Drink no Inferno" ou "Lost Boys". Não fui ao THRILLER, mas lembrei do cara lá.



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É um luto. Talvez não dissesse "I love Michael". Mas esse cara faz parte do meu soundtrack. O resto, os boatos, as estórias, é conversa de salão de beleza. Foi -e será- um paradigma.

04/06/2009

Passarinha/Matéria Prima(P.D.M.)

PASSARINHA


O paraíso é um cenário distante. Os sonetos são reduzidos no tacho. O dendê ferve o baço dos Montechio e Capuleto. Nos vales profundos do Rio Vermelho, Dante frita o baço. Música brega; ruído brega. Ar pesado de maresia. Carne frita e urina. Corroendo a beleza. Única, talvez: Beatriz. Oferece -de mesa em mesa- Romeu e Julieta. Fruto do araçá com requeijão, em papelzinho manteiga; Romeu e Julieta do sertão. Sabor agridoce sem futuro. Beatriz não tem peitos. Coxas. Uísque doze anos. Poderia ser rasgada ao meio. Ele pergunta a dose. Beatriz diz que já fez e que agüenta.

31/05/2009

RockCital 30/05

Literatura também é diversão. E essa iniciativa ganhou corpo. Sucesso na Midialouca. Parabéns pra todos do coletivo CORTE. Nelsão estava lá (Nelson Magalhães Filho), muito bem definido - "a cereja do bolo". E ainda ganhei um livro seu, em co-autoria com "Denise Costa". Ainda estou degustando meus presentes.
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INVEJA
Chove tanto que dá vontade de chover também
descer correndo ladeira abaixo
lamber folhas e caracóis
entrar na pele das pessoas
e um dia sair mansinho
pelo canto de seus olhos
-Denise Costa
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INVERNO
Debaxio da chuvarada
ele avança para casa
depois de cruzar a ponte (um céu verde escuro)
2 ou 3 casas ainda
na esquina ouvindo um finíssimo violino e
lembrar os anjos fatigados de Kerouac.
Chegando, contempla-se
estranhamente
num espelho com gramofone
junto a cama.
-Nelson Magalhães Filho
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Ganhei também o cordel de Wladimir Cazé, "A Filha do Imperador que foi morta em Petrolina". Gostei da linguagem e das cenas: "Terras que ferve 'assassina' quando a sorte sai de mão'...
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"Vacas matou umas dez
satisfeito de ruim
toran´o os bucho´a machado.
Ele agonizou no fim,
desenbolan´o no chão.
Daí foi nutrir capim".
-Wladimir Cazé























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No mais, quem não foi perdeu; "The Doors", "Ramones", "Plebe Rude", e todas as músicas fodas da Pastel de Miolos, entre outras. Depois da "intervenção" fiz um "back" com a banda Pastel de Miolos. Excelente banda punk-rock. Coisa fina o som dos caras. Quando Alisson disse, "porra Diogo, essa tem que ser com guitarra", vi que seria responsa. Confiram aqui a música - "Matéria Prima".






















Cara de sério da "porra". Mas, depois relaxei.

















Eu, de pé, aquecendo com uma cerva e Gustavão (Gustavo Rios) ao lado. E Lima (Lima Trindade) com o filho de Sandrão (Sandro Ornelas).
















A banda Pastel de Miolos: os caras são "duca" (Alex, Wilson, Alisson).
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Pra conferir mais, clique aqui.

17/05/2009

Adoráveis Cretinos
















"Daqui da janela os gritos emborrachados lhe deixam muito curioso e assustado. Mas não percebe o embrulho de pernas soltas, caídas, que brilha como todo menino suado no colo da mãe. Brilha porque está plantado no ventre; ela o quer dentro. Mas a pele não deixa passar. Ela o quer dentro. E a evolução dessa vontade provoca, nesse daqui, a euforia de um puxa-estica de camisa velha. Experimenta o que não pode entender. Engole o horizonte de uma só vez, sem foco. E se assusta com os monstros de ferro. Gosta mesmo das caudas vermelhas que crepitam no vento: freios ABS, pra mostrar que podem frear na cara. Essa garota nada lhe diz. Exibo o brinquedo no horizonte. Mais dragões surgem, perseguindo-a, de um lado para o outro, ameaçando faróis de fogo, embalados por “Drive..., Drive...”; The Clash, Brand New Cadillac, pois, algum louco está escutando, sem desviar, dentro de um Mustang em toda potência, sufocando o motor até nos tirar a coragem de assistir".



Na Verbo21. Tribuna. Edição de maio.