15 de mar de 2008

Helicóptero do Floyd, na cabeça

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Hoje seria um Sábado pra conhecer novos amigos. Mas, recebi um soco.

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Encontrei o livro do Gustavo Rios numa livraria da Manoel Dias. "O amor é uma coisa feia". Editora 7Letras. Uma sensação interessante, que me identifico. Muito bem escrito. O cara é bom. Há contos sem "rame rame" que quero reler, e reler. Iríamos nos falar no "Quintal", um local utilizado por meu pai, quando membro do DCE da UFBA, numa época onde pessoas eram "suicidadas", na dita-dura; pois ali dava pra fugir da polícia...

Enfim, bons ares.

Boa conversa. Sobre os post´s em seu blog. O livro dele. O Kerouac que gostamos... Mas recebi um soco na cara. Um pai, novamente; esse velho pai; foi embora. Sinto um pouco de raiva, pois, esses caras não se cuidam minimamente e morrem jovens, como o meu, ano passado; e esse agora, aos 46; intensos, amigos, cúmplices, que fazem alguém dizer que preferiria não gostar tanto, pra não sofrer. Fui abraçar o filho, nada mais. Amansar a locomotiva na cabeça, que pulsa, não pára. E dizer que se assim não fosse, a gente não se apaixonaria por ninguém; viveria com medo de falar com aquela garota, de tentar um melhor emprego, de dar a cara a tapa, de pedir uma trégua com um abraço. Hoje, poderia encerrar meu dia com um cool-Jazz-triste do Davis, mas, quero celebrar o que fica. A saudade. E as estórias do pai dele.

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A Germina Literatura publicou um conto meu, na edição de março. Gostei muito da ilustração; vê aqui: "Uma fila de xepeiros na coluna da praia. Sentados em bancos de concreto com ferros expostos; todos aplicadinhos, servindo-se de benzina aromatizada com Babaloo, esperando o helicóptero do Pink Floyd dentro de suas cabeças. É o pulso batendo forte, seqüenciado pelo vapor de benzina tuti-fruti; the happiest days of our lives, na praia. É só morder o lenço embebido. A língua coça, saliva. O ar entra frio. E um raio quente corre pelas costas. Poderia ir embora se quisesse. Mas ainda havia juventude, linda e rápida, explodindo no céu. Dizer uma coisa dessas sem papel, só bebendo; ela escutou e sorriu. Disse que era de Recife. O cabelo cheirava a mar. Prolonguei o beijo no rosto pra sentir mais".

Clica pra ler na íntegra. Nessa edição de março da Germina há pessoas que "conheço" de vista; Állex Leilla, José Aloise Bahia, Flávio Viegas Amoreira, Carlos Pessoa Rosa... Enfim, viva Germina.