Bom, sempre prefiro dizer por meio deles. Os personagens.
"De tão deformados, os seios desabam e escapolem. O ônibus freia no dorso da curva e quase mergulha na Cidade Baixa. Todos querem ver. Resignada, ela sobe os degraus de olhos fechados. O motorista deixa a mão cair sobre o zíper e se excita. Os seios são repuxados e devolvidos; acossada, não tem pudor. Enxuga o suor frio do rosto como uma criança de cinqüenta anos, e pensa em sua filha. Lembra de seu rosto descarnado, que surge no escuro, iluminado pelas centelhas do isqueiro. Ela sorve a pedra no cachimbo sem perceber a ponta de seus dedos esfumaçarem. Sempre pede dinheiro e ameaça o próprio corpo. Diz que não sabe mais o que fazer. Mas você quer se concentrar no céu laranja que precede o crepúsculo. Tenta um cenário entre a Cidade Alta e Baixa, com a melodia “Blowin´in the Wind” na cabeça, pra assistir aquela bola de fogo morrer no mar. Mas, daqui, não é como ter perna-de-pau de circo. Você não vê, somente, de cima. É melhor desviar para o segundo andar das lojas do comércio. Poderá ver uma bunda, subindo e descendo; que desentope, suga; laxando um pau-vértice, bem duro".
Confira na íntegra no Jornal Vaia.
27/10/2008
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4 Disseram:
mermããããão. fica parecendo até viadagem essa coisa de elogiar tuas ondas. mas fazer o que, caralho? me diga. fingir que não li? dá uma de invejoso? o conto é genial. a pegada é boa. e vc fica devendo um livro pra gente, porra. dia 22, no icba, vai lá. vai ter poetas e punk rock. vai ser festa. teu exemplar vai. vá também.
hehe. Com certeza eu vou cara. Já tá na agenda. Vou continuar escrevendo e um dia desses escolho alguns contos e dou a cara a tapa.
Abraço meu velho!
Assino embaixo do comentário, parceiro, muito bom o teu conto! Meio Trevisan, meio Fonseca, muita voz própria! Sucesso no prosseguimento da arte, meu caro. Grande abraço
Guto Leite,
Obrigado pela visita cara. Vamos seguindo.
Abraço.
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