25/04/2008

1 de maio, em diante


Sinal verde. Marcha lenta. Exu, de cócoras, expreita na encruzilhada. Ogum tentou me deixar em casa, mas, insisti. Fumamos charutos e bebemos cachaça. Parece brincadeira. Quase a estória do Cigarro de Macumba; quase. A diferença é que compramos e, como se diz, "nos emacumbamos". O sinal estava verde. E eu no carona. Vi que era impossível acelerar mais. Lembro perfeitamente da música no som do carro, seguida de um vulto negro à direita; um capô, solto como um leque, que poderia ter cortado minha cabeça. A roda amaciou o coice do outro carro; e bem por isso até hoje não foi encontrada.
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Naquele lapso só tive tempo de proteger meu rosto com o braço. Por sorte, nenhum comprometimento nele. Escutei o médico gritar no corredor pedindo mais linha. Levei mais de cinquenta pontos. A maioria interno. Por isso mereço. Comemorarei com meus amigos no melhor estilo The Queens of The Stone Age, pois, pra marcar ainda mais as nossas vidas, eles estavam comigo no acidente. Todos nós sobrevivemos. Tivemos sorte.
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Nos próximos meses estarei ausente. Recluso. Roteiros e planos de estudo. Em Concurso Público é preciso mais que sorte. Por isso, passarei aqui raramente, pra dar alguma notícia, algum toque; como esse: o Lima Trindade da Verbo21 avisou que estou lá, na edição de Abril.
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Esse mês de maio será assim. Celebrações curtas, mas intensas; e algumas lembranças. 4 de maio farei um ano sem meu velho. E daqui continuo com nossos planos confidenciados no quarto de hospital. Ele me transmite toda sorte. Meus amigos também. E ela, a quem dedico, meu beijo de chegada dessas contendas, ilumina o meu Dark Side of The Moon:

O nome de sua alma é “Luiza”; música de Tom Jobim. Um lugar antes misterioso; encantado pelos cabelos compridos, art déco, que emolduram um nariz fino, arrebitado, machadiano. Modelada para vestido preto, Jaqueline Onassis, onde uma fita no cabelo também lhe cairia bem; como tudo que é belo, moderno, e exoticamente bonito. Desde a primeira aparição, pois não se enxerga, nem se vê; um espírito anjo-traquina, que transpira perfume, e explode mil galáxias quando sorri. Meu Curaçao Blue; mar azul na taça, que dividimos, onde cubos de gelo foram derretidos como pedaço de chocolate, que se apequenavam cada vez que passava, boca-a-boca; aquecendo minha alma russa, siberiana. Poderia ter a sorte de escutar no rádio, “Bandolins”, do Oswaldo Montenegro, e vê-la dançar. Um corpo sustentado por duas colunas de pernas, aveludadas, camurças; que sobem pelas costas até os cantinhos dos olhos de gata fujona que me olham de lado. Hoje, um lugar, que em cada canto espraia amor e segurança, para um transtornado bi-polar, esquizo, Bentinho e Escobar, num só, dessa Capitu; que ama dois, três, que tenho em mim mesmo, talvez mais; até de ator, porn french, me faço. Meu sangue-sobrenome, ultra-romântico; do parentesco do poeta baiano Castro Alves; derreteu meus cantos mais descrentes e frios, pois nosso futuro, hoje, feliz: ”amar-te é melhor que ser Deus“.

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