Uma senhora, ostentando vigorosos setenta anos, estica o braço no montinho de frutas. Ela quer uma boa tangerina que está no topo. O perfume cítrico exala e ela quase pode sentir a textura em suas mãos. Mas não consegue; não por alcançar. Mas por receber um golpe pungente nas costas. O supermercado foi invadido por uma gangue. Além disso, levaram a bolsa dela. Mas tudo bem. O dinheiro estava no sutiã. E com toda serenidade, ela vai ao caixa, paga as tangerinas, e sai sem perceber qualquer metal em suas costelas. Caminha na rua com o objeto lá, fincado. E não é aquele de Halloween, de plástico, que vendem nas lojas Americanas para seus sobrinhos brincarem de Jason... É uma "senhora faca, Tramontina"; de churrasco.
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É quase isso. Quando o absurdo é tão absurdo, dá vontade de rir. E quando dito numa voz gutural, Arnaldo-Antunes-rouco, sussurrando; frente a clemência por vida, é cinema:
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- Você não precisa fazer isso.
- Todos sempre dizem a mesma coisa.
- O que eles dizem?
- Eles dizem: "você não precisa fazer isso".
É uma das últimas cenas do "No Country for Old Men". A montagem é literária. Sugere em vez de escancarar. Filmei, sim, no celular; praticamente só áudio, que deu pra transcrever aqui.
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Gostei de outro também. Mas não filmei. "Os Donos da Noite"; We Own the Night. Dá pra ver o despreparo e a fragilidade da polícia. Os balaços realistas desencorajam qualquer aspirante. MAS, a primeira cena, com Eva Mendes... Será que houve dublê de corpo? Estou sonhando que não.

A primeira cena "encoraja" você ir até ao final pra ver se acontece mais uma. Você quer estar ali. Lembra do colégio e as estórias das colegas. Mas, estou muito canalha e não vou contar mais nada.


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