Após a penumbra do cinema, ouvi várias vozes arrastadas tentando imitar “meu nome não é johnny”, com vários “erres” no final; bem carioca. A "moçada" gostou. São dos "nossos". Colegas de faculdade, que vendem uísque roubado, fumam um “base” na escada, montam esquemas de farras vips...
Então vão dizer que o filme é uma ode ao vício, tráfico e etc. E quem não é viciado? Cerveja e cigarro, que pagamos IPI e ICMS; aquele selinho nas tampinhas de cana. 40% do preço da garrafa é imposto. Com essas questões na cabeça, saí do cinema e fui tomar um chopp.
No ginásio, a "moçada" tomava anfetaminas no intervalo. Outros, iam na casa de uma ninfeta, bem gostosa, pedir pelo telefone todo o tipo de drogas. Isso sim é a glamurização dos tóxicos; um shortinho curto, pêlos na barriga, bronzeados... O aquecimento era benzina. Depois, linhas paralelas que se encontravam no infinito, baseados enrolados com papel de pão, bem grandes; ouvi falar sobre uma lenda enrolada com folha de bananeira. Nunca fui lá. Gostava de ouvir as estórias mesmo, observar. Nas festas, com eles, ficava no meu refrigerante com 51; a bebida preferida de raulsito. Depois ia pra casa.
De tanto saber desses lugares e conversar com esses caras, fiz amizades; até chamarem meus pais no colégio. Tive duas reuniões; uma em casa, e outra com a "moçada".
Com meus pais, tudo bem. Sempre tudo muito aberto e dito. Com a "rapaziada" disseram que eu tinha futuro, inteligente, essas coisas. Sabiam que não tinha alguma aptidão para aquilo; apesar de boa gente, aconselharam-me não andar mais com eles.
De todos, sobraram dois; ilesos. Um roubou um carro na própria rua, na "fissura", sem grana, e foi preso. Outro, soube que passou num manicômio; estava usando crack. O resto, nunca mais tive notícia. Muitos se formaram, continuaram nessa vida.
Os caras sequer me ofereciam; por proteção, talvez. Esses juízos de moral valem uma vida. E no filme, isso se mostra claramente.


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