O cara sempre quis ser pai. Sonhava com essas cenas bem comuns e fez o melhor que pôde. Uma hora da manhã, extasiado, pôs-se no canto da sala numa cadeira e sem dizer uma palavra encarou todos por um tempo. Meneou a cabeça como um veterano vencedor. Tirou-me do colo. Saiu da sala pelo mesmo caminho. É isso. Natal é pra sentir saudade e ficar um pouco triste.
O amor não está nas vitrines. Está em outro lugar. Mudam os papéis de presente e são as mesmas coisas. Essa não é minha mensagem de Natal engajadinha, política. É que não gosto de Peru e nem de Chester. É porque quando se escuta a música do John Lennon, Happy Christmas, você fica triste e se sente um idiota.
Em pleno Supermercado ou Shopping Center, Lennon faz você gastar mais. É música pra embalar manada. Mas, quando um cara te coloca nessas cenas, os sentidos mudam. Você amolece. Sente-se um pouco otário, fisgado. No primeiro Natal sem ele, você deseja um Natal bem comum e com alguma história para contar. Saudade estúpida do meu velho. Morreu esse ano.
Pra amenizar: a música do Lennon na versão "Simone" pede uma versão pornográfica. É uma matiz fodida; "e seja feliz quem" ao modo carioca soa "e seja felizxcheim. Cantarolo uma versão com rimas com "AU" para que ela pegue toda vez que escuto.
Dei-me alguns presentes lúdicos; entre eles:
uma lanterna que se encaixa perfeitamente em livros e ilumina incrivelmente bem;
um livro de Contos de Luiz Vilela, "Lindas Pernas";
além de revistas que não existem mais; exceto a "100 balas: atire primeiro, pergunte depois"; já "PORRADA! SPECIAL: brutal, sacana, fantástica, genial" e "Fúria Sex", só em sebos. O legal é que são grandonas. As mulheres ficam mais bonitas.
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No ritmo do Noel, completei minha coleção "Sessão da Tarde" com:
"The Beat Generation", curta do Jack Kerouac;
"O Cheiro do Ralo";
"Scarface";
"Amarelo Manga";
"The Salton of Sea";
"Laranja Mecânica";
"Nina", versão fêmea de Raskolnikov;
e "Deep Trouth" - dublado em espanhol, pois é mui engraçado escutar "chupare pene" da estrela do clássico a que "blowjob".
Quero do Noel um livro de Rilke. É uma reunião de cartas que escreveu à mãe, dos vinte e cinco anos aos cinquenta, período que passou sem ela. Quero mesmo muita felicidade aos meus amigos. Amo vocês, porra!
E para a ceia não ser indigesta, vale comer novamente esse Tender. Clica aqui. Além de não ter termômetro de plástico pra avisar que está pronto, não injetam tanto hormônio e é o Pinhead em carne.
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Prometo para 2008 uma adaptação de um trecho do livro de Jay Anson, "666: O Limiar do Inferno"; a intervenção será impagável, melhor que Cine Privê, Emmanuelle... Comprei por 1 (hum) real na Feira da Paróquia deste ano; comprei pela presença em solo sagrado, no terreno da Igreja no bairro da Graça, direto de um balcão cristão. É isso. A publicidade rende dinheiro ao criador.


