23/12/2007

Tender não leva termômetro da Sadia

O melhor Natal que pôde dar. Assumiu toda a festa. Um dos poucos que possuía carro; fez questão dos irmãos, da mãe, tias; três viagens. Preocupado com ciúmes, presentes até para os sobrinhos. Fechou a porta da cozinha. Saiu pelos fundos com luvas brancas, coturno, barba de algodão...; suando bastante. Esqueceu de tirar os óculos e bateu na porta. Era ele mesmo.

O cara sempre quis ser pai. Sonhava com essas cenas bem comuns e fez o melhor que pôde. Uma hora da manhã, extasiado, pôs-se no canto da sala numa cadeira e sem dizer uma palavra encarou todos por um tempo. Meneou a cabeça como um veterano vencedor. Tirou-me do colo. Saiu da sala pelo mesmo caminho. É isso. Natal é pra sentir saudade e ficar um pouco triste.


O amor não está nas vitrines. Está em outro lugar. Mudam os papéis de presente e são as mesmas coisas. Essa não é minha mensagem de Natal engajadinha, política. É que não gosto de Peru e nem de Chester. É porque quando se escuta a música do John Lennon, Happy Christmas, você fica triste e se sente um idiota.


Em pleno Supermercado ou Shopping Center, Lennon faz você gastar mais. É música pra embalar manada. Mas, quando um cara te coloca nessas cenas, os sentidos mudam. Você amolece. Sente-se um pouco otário, fisgado. No primeiro Natal sem ele, você deseja um Natal bem comum e com alguma história para contar. Saudade estúpida do meu velho. Morreu esse ano.


Pra amenizar: a música do Lennon na versão "Simone" pede uma versão pornográfica. É uma matiz fodida; "e seja feliz quem" ao modo carioca soa "e seja felizxcheim. Cantarolo uma versão com rimas com "AU" para que ela pegue toda vez que escuto.

Dei-me alguns presentes lúdicos; entre eles:

uma lanterna que se encaixa perfeitamente em livros e ilumina incrivelmente bem;

um livro de Contos de Luiz Vilela, "Lindas Pernas";

além de revistas que não existem mais; exceto a "100 balas: atire primeiro, pergunte depois"; já "PORRADA! SPECIAL: brutal, sacana, fantástica, genial" e "Fúria Sex", só em sebos. O legal é que são grandonas. As mulheres ficam mais bonitas.


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No ritmo do Noel, completei minha coleção "Sessão da Tarde" com:

"The Beat Generation", curta do Jack Kerouac;

"O Cheiro do Ralo";

"Scarface";

"Amarelo Manga";

"The Salton of Sea";

"Laranja Mecânica";

"Nina", versão fêmea de Raskolnikov;

e "Deep Trouth" - dublado em espanhol, pois é mui engraçado escutar "chupare pene" da estrela do clássico a que "blowjob".


Quero do Noel um livro de Rilke. É uma reunião de cartas que escreveu à mãe, dos vinte e cinco anos aos cinquenta, período que passou sem ela. Quero mesmo muita felicidade aos meus amigos. Amo vocês, porra!


E para a ceia não ser indigesta, vale comer novamente esse Tender. Clica aqui. Além de não ter termômetro de plástico pra avisar que está pronto, não injetam tanto hormônio e é o Pinhead em carne.


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Prometo para 2008 uma adaptação de um trecho do livro de Jay Anson, "666: O Limiar do Inferno"; a intervenção será impagável, melhor que Cine Privê, Emmanuelle... Comprei por 1 (hum) real na Feira da Paróquia deste ano; comprei pela presença em solo sagrado, no terreno da Igreja no bairro da Graça, direto de um balcão cristão. É isso. A publicidade rende dinheiro ao criador.



7 Disseram:

Ricardo disse...

Vem a calhar:

IGREJA - TITÃS

Eu não gosto de padre
Eu não gosto de madre
Eu não gosto de frei.
Eu não gosto de bispo
Eu não gosto de Cristo
Eu não digo amém.
Eu não monto presépio
Eu não gosto do vigário
Nem da missa das seis.
Eu não gosto do terço
Eu não gosto do berço
De Jesus de Belém.
Eu não gosto do papa
Eu não creio na graça
Do milagre de Deus.
Eu não gosto da igreja
Eu não entro na igreja
Não tenho religião.

Diogo Costa disse...

Discão do Titãs cabeça dinossauro.

É por aí. Mas, com o tempo, vc amolece para esses ritos natalinos. rs.

Abraço!

Jana disse...

Estou ficando velha e besta, mas será que não sempre fui. Apesar de eu ser uma arena de hormônios malucos, saltitantes e em queda livre (váriaaaaaaaaaas vezes), eu fico idiota nestas datas. Acho que porque minha infância me rasteira e eu fico lembrando de coisas demais, pessoas demais, e daquilo que se foi e que não volta nem com pagamento de resgate. É isso, baby.
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Vou assistir os episódios de Natal dos Simpsons e ficar mais gaga ainda.

Beijos

Jana.

janaína Calaça disse...

Gagá e não gaga! Não sou gaga! :P

Diogo Costa disse...

É, aqueles desenhos de Natal, ou filmes, como Jesus Cristo SuperStar, cheira a madruga e fastio. Quem dorme cedo depois da ceia? rs.

O tempo, paternidade e tudo o mais vai deixando a gente assim. E ainda nem tenho um rebento.

Abração Jana!

Gustavo Rios disse...

a gente amolece em dias assim. é foda. mas enfim, caras como você conseguem manter a sinceridade com vigor certeiro. como uns jabs do Ali: parece que vai na leveza, mas derruba. abçs

Diogo Costa disse...

Pô, beleza gustavo. Apareça para esse ringue.

Abraço!