
"Todos os animais aparecem à noite. Putas, brancos, negros, doidos, bichas, traficantes, viciados. É doentio. Venal. Um dia a chuva forte tirará a escória das ruas".
Quando chove, assisto; boas vibrações para um conto que estava pensando. E ficou muito bom. Essa estória de um homem ex-fuzileiro, solitário, insone, que espia os casais que namoram nos cafés, me ajudou. E ele conheceu ela: um lugar pra olhar, a musa do sonho americano. Propôs um encontro. Na segunda vez, a levou para o cinema, e ela achou estranho o nome do filme, mas, ele insistiu dizendo que muitos casais entravam ali. "Manual matrimonial sueco"; por ingenuidade, não sabia que se tratava de um filme pornô. É engraçado a cena. Mas dá pena; ele só queria ser um cara bem comum, com emprego digno, e uma namorada. Mas, não a verá mais; só quando herói público. Louco. Enfurecido.
Essa semana, no lançamento do filme considerado do ano, Tropa de Elite, meu xará, Diogo Mainardi, denominou o filme de facista dizendo não tê-lo assistido, mas, com a simples visualização do cartaz publicitário, foi capaz de presumir, até, a atuação "ruim" de Wagner Moura; "não assisto filme nacional", disse ele.
Realmente, como a maioria dos jornalistas esqueróides do Brasil que descarregam toda a tralha pseudo-intelectual, falou merda. Criticar por cartaz é ironia ruim.
Cheguei a ler algo parecido sobre o filme "O Cheiro do Ralo"; um absurdo. Excelente filme e idem Selton Mello; um filme para ser cultuado pelos que têm cérebro. O problema é burrice mesmo. Gostava até da afetação de Mainardi frente às pataquadas do governo Lula. Mas, depois dessa, "é sempre um erro querer transferir para a literatura a tolerência que, na sociedade, é preciso ter com as pessoas estúpidas e descerebradas que se encontram por todo lado".
Ao invés de atiçar as discussões sobre o impacto do filme "Tropa de Elite", Diogo Mainardi prefere enfiar a cabeça num buraco. Após dois meses de silêncio nesse blog, tenho saudade de Paulo Francis. Esse tinha estofo para dizer o que quiser. Mainardi podia fazer melhor, bastava uma frase pra atiçar: "Tropa de Elite: heróis?".
E digo: Travis não se enquadra em nenhum desses tipos. Mas deseja um tipo de higiene: "que a chuva limpe". Papo sério, complicado, que pede Günther Jakobs, Foucault, e Zaffaroni; só de início. Faz bem aprofundar pra não falar merda. Inclusive pra ser digno de ter pensamentos próprios. Bem ou mal, ele deveria ter algo a dizer, Shopenhauer; mas nada disse. É um animalzinho raivoso.


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