09/10/2007

Efeito Guerra nas Estrelas: "Kit Bope custa R$230"

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Foi difícil de acreditar. Além do número expressivo de participantes de uma das comunidades relacionadas ao filme "Tropa de Elite", mais de 310 mil, no orkut, e a estranha " ode" ao combate armado, com 38 mil integrantes, essa badalação me faz lembrar nossas origens. "O mínimo de dentes exigido é de dez (10) em cada arcada, hígidos ou tratados. Tolera-se prótese dental, desde que o inspecionado apresente os dentes naturais exigidos". (Nascidos para Sorrir).

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Nosso Sargento Hartman é a nova sensação; fazendo uma referência ao filme de Kubric, "Nascido para matar"; ou melhor, efeito ao modo "Guerra nas Estrelas" e seu séquito:

"O chamado kit Bope sai por cerca de R$ 230 no comércio da Rua Primeiro de Março, em frente ao 1º Distrito Naval, no Centro.(...) “Estamos comprando mais uniformes. Depois do filme, a procura aumentou muito, na maioria das vezes por garotos de 18 e 19 anos", conta Elias Mansur, gerente da Casa da Armada. (...) Na edição deste ano da tradicional festa à fantasia Terê Fantasy, em setembro, o ambiente lembrava uma dependência do Batalhão. O empresário Bruno Augusto, 22 anos, fã do filme, não hesitou em se fantasiar de agente, mas preferiu o uniforme camuflado, que mistura tons de cinza e preto, usado pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar.(...) Ele adorou a experiência. “Os seguranças me olhavam com outra cara, impunha mais respeito”, conta orgulhoso o jovem empresário, que planeja prestar concurso para ingressar na Polícia Militar". clique aqui

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É incrível esse efeito.

Quem tortura, acossa, pode ser visto como herói ao modo Star Wars?

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Vejamos esse aqui: "Quem não presta uma segurança cognitiva suficiente de um comportamento pessoal, não só não pode esperar ser tratado ainda como pessoa, mas o Estado não ‘deve’ tratá-lo, como pessoa, já que do contrário vulneraria o direito à segurança das demais pessoas". Palavras de Günther Jakobs (trad. CANCIO MELIÁ, Manuel. Direito Penal do Inimigo. Livraria do Advogado, 2005, p. 42.).

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É meu amigo, isso é Direito Penal do Inimigo; há tempos, em voga. Diante disso, vejamos a frase certeira do nosso brasileiro: "É sempre tempo para separar o poder do sujeito sobre a capacidade produtiva do corpo, necessário para a subordinação do trabalho assalariado ao capital" (Juarez Cirino dos Santos).

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Parafraseando às avesas o alemão Jakobs: a classe média não possui uma cognição suficiente de um comportamento crítico. E já dizia Foucault, manter determinada classe acossada, dócil e útil, é o lance.

A diferença transcendental de planos é que nossa Guerra é horizontal, real; parece que as cabeças estão nas estrelas; cabeças para quem o Direito Penal serve e é leniente. É incrível:

Os seguranças me olhavam com outra cara, impunha mais respeito”, conta orgulhoso o jovem empresário, que planeja prestar concurso para ingressar na Polícia Militar. Se o modelito impressiona os seguranças também pode causar problemas com as moças na hora da azaração, sem prejuízo da conquista. “É que o coturno, por ser grande, atrapalhou um pouco quando na hora de dançar eu pisava no pé das mulheres”, explica o aspirante a homem da lei, que também poderia freqüentar um curso de dança.

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Pois é. Gostar da estória do filme, da trama sobre o ponto de vista de quem acossa e tudo mais, é admissível. Eu gosto do filme e, em absoluto, não o considero facista. Mas, incrível mesmo é esse efeito Star Wars.

Repito: o problema não é o filme.

É que somos cavalos.

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